100 dias na Estrada – como é realmente viajar quase sem dinheiro

Já fazem 100 dias que eu deixei minha casa e conforto em Londres para me aventurar pelo mundo. Até agora já foram 19 mil quilômetros de estrada pela Austrália e ainda faltam mais de mil para chegar até Melbourne e terminar a primeira parte dessa viagem de 6 meses.

Já conheci toda a costa leste do país de Melbourne até Cape Tribulation, cruzei o deserto pela Savanah Way até chegar em Darwin, visitei toda a costa oeste de Kununara até Margaret River e cruzei o deserto Nullarbor até Adelaide.

Esperance
Esperance

Muita coisa aconteceu nesses 100 dias, algumas boas, outras nem tanto, mas tudo foi um aprendizado e muitas histórias para contar. Em Nimbin morei em uma tribo hippie, cuidei de cangurus em reabilitação ou fiquei hospedada com um nudista. Histórias que no momento foram uma experiência estranha e algumas vezes difícil, mas que com o tempo viraram ótimas histórias que valeu a pena vivenciar.

CangurusViajar com pouco dinheiro não é fácil, mas me fez ver que é possível viajar mais com menos. Aprendi a dar valor para coisas pequenas, como um banho de água quente, ter uma cama para dormir ou simplesmente ter eletricidade ou internet. Nunca fui fã de televisão, mas senti falta de ás vezes poder assistir um filme e relaxar antes de dormir. Quando se acampa e fica hospedado na casa de estranhos por 100 dias essas coisas são luxos que não se tem.

Esse é o preço que se paga por não pagar por acomodação por toda a viagem pela Austrália. É difícil não saber muitas vezes onde irá passar a noite ou como será o anfitrião do couchsurfing que estará me hospedando. O website couchsurfing ajudou muito para que essa viagem fosse possível e tão barata. Também me proporcionou conhecer cada cidade onde fiquei pelos olhos de pessoas locais. Conheci gente de todo tipo, alguns anfitriões tinham alguns costumes estranhos, como o nudista que em vez de lavar os pratos, os lambia, ou a tribo hippie que não usava produtos químicos inclusive sabonete. Também conheci pessoas super divertidas, como o anfitrião em Airlie Beach que levou eu e minha amiga Ella (que está viajando comigo) para conhecer as ilhas Whitsundays ou o couchsurfing em Coral Bay que sempre estava pronto para uma festa. Foram pessoas de diferentes personalidades e esses fizeram a viagem mais divertida e especial.

Claro que nem tudo foi festa, tive muitos momentos difíceis, como cruzar o outback, dormir próximo a um mangue infestado de insetos e ter que acampar na beira da estrada em uma área de descanso onde caminhões entravam e saiam a noite inteira. Com certeza tive muitos momentos onde me senti como uma desabrigada, o que na verdade foi real. Durante essa viagem a minha casa está sendo minha tenda e estou dependo de pessoas de bom coração que de vez em quando me oferecem um cantinho em suas casas para eu dormir e poder lavar minhas roupas. Ser mochileira não é fácil, mas proporciona um imenso sentimento de liberdade.

Acampando em Lake Argyle
Acampando em Lake Argyle

Também fiz muitas coisas que não me orgulho para manter os custos ao mínimo. Entrei em locais de acampamento que são pagos tarde da noite e sai bem cedo para somente para não pagar, entrei em alguns parques nacionais sem pagar, comi frutas que são servidas de graça no supermercado somente para crianças, levei meu próprio vinho para bares escondido, acampei em lugares que eram proibidos, entrei em albergues sem permissão somente para tomar um banho quente e entrei em resorts sem pagar somente para usar as piscinas. Nada disso me causou nenhum problema, mas me fez economizar bastante dinheiro.

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Quando a temperatura caiu bastante também comprei roupas de inverno na loja de caridade por 50 centavos a peça. As lojas de caridade na Austrália são muito boas e existem várias em cada cidade. É incrível o que se pode comprar com somente 3 dólares ;P

Por mais que muitas vezes a jornada é difícil, as pessoas e lugares que conheci valem cada noite mal dormida. Vejo pôr do sois espetaculares todos os dias e nunca me canso deles e muitas vezes quando acordo cedo o suficiente também vejo nascer do sois maravilhosos.

Pôr do sol no Nullarbor
Pôr do sol no Nullarbor

Conheci em somente 100 dias mais cachoeiras e lagos que já vi na vida, um mais espetacular que a outro que é difícil dizer qual é meu favorito. Visitei parques nacionais nas montanhas e costas australianas, alimentei dezenas de cangurus selvagens, vi em seu habitat natural praticamente todos os animais nativos da Austrália e muitos outros que foram trazidos pelo colonizadores, como búfalos, sapos cururus, gatos selvagens e camelos. Tive que parar o carro na estrada para vacas, ovelhas, cangurus e cabras atravessarem.

Coala em Yanchep
Coala em Yanchep

Conheci pessoas incríveis, com histórias e atitude de vida diferentes. Algumas pessoas eram viajantes como eu, alguns haviam começado a viajar por pouco tempo e alguns já estavam viajando faziam anos, morando em acampamentos e vivendo completamente livre. Outras pessoas tinham a vontade de viajar, mas nunca tiveram o tempo ou mesmo a coragem de fazer as malas e colocar o pé na estrada. Algumas pessoas me ofereceram acomodação e outras uma boa conversa. Conheci jovens que tinham muitos planos de viagem, mas nunca saíram da cidade onde moravam e também muitos idosos que depois de muitos anos de trabalho resolveram deixar o conforto de suas casas e viajar pela Austrália em uma caravana. São esses amigos que se fazem durante a jornada que fazem momentos memoráveis.

Kalbarri National Park
Kalbarri National Park

Essa jornada ainda não chegou ao fim, ainda conhecerei muitos mais lugares e pessoas incríveis e terei muito mais histórias para contar. Em algumas semanas estarei terminando a primeira parte desse mochilão e estarei embarcando para o sudeste asiático. Um continente e cultura completamente diferente. Dessa vez, finalmente, não estarei tão pobre. Com os 30 dólares australianos que aqui na Austrália mal pagavam pela minha comida e gasolina para o carro, no sudeste asiático pagará por acomodação, passeios e alimentação em restaurantes. As coisas vão melhorar, mas as dificuldades lá serão outras, como língua, transporte e cultura. Estou empolgada para essa segunda parte da viagem e as histórias que estarão por vir.

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2 comentários em “100 dias na Estrada – como é realmente viajar quase sem dinheiro

  1. Oi nathy Wow fiquei realmente impressionado Com sua vontade em conhecer o mundo . Esta de parabens pela narrativa de suas viagens lugares maravilhosos 👏🏼👏🏼👏🏼

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